| |
Tire suas Dúvidas
1. Fiz uma análise microbiológica da água do poço que utilizo em minha residência e o resultado acusou contaminação com Coliformes Totais , Fecais e Bactérias Heterotróficas, bem acima dos limites estabelecidos para água potável. O que devo fazer ? Ainda poderei utilizar a água deste poço ?
Neste caso o recomendado é tratar a água com um sistema adequado de desinfecção. O mais popular e de menor custo é o cloro; mas deve ser aplicado de forma cuidadosa. Hoje já existem equipamentos simples que podem resolver com segurança estes problemas. O mais seguro e recomendável é a instalação de uma bomba eletrônica dosadora de cloro. Com este equipamento pode-se regular exatamente a quantidade de cloro necessária para satisfazer a desinfecção da água que vai ser consumida. A grande vantagem deste equipamento é o fato de podermos dosar pequenas quantidades de cloro sem provocar gosto e odor na água, não afetando as características básicas da água deste poço. Outra vantagem deste equipamento, é a alta durabilidade, fazendo com que o investimento retorne em menor tempo. Existem outros sistemas de dosagem mais simples mas que não oferecem a mesma segurança. De qualquer forma cuide para que o cloro residual após a instalação do equipamento não ultrapasse a concentração de 0,5 mg/L . Após a instalação do seu equipamento, você deve coletar periodicamente uma amostra de água, e enviar ao Laboratório para verificação da eficiência do processo de desinfecção.
2. Na minha Farmácia de Manipulação, instalei um Deionizador para obter água purificada. Mas quando recebi os resultados das análises da água verifiquei que está contaminada com Bactérias Heterotróficas acima dos limites estabelecidos para água purificada. Como isto pode acontecer ? Devo trocar por um Destilador ?
É simples. A função de um Deionizador é de retirar os íons presentes na água; como o leito por onde percola a água é com resina granulada, os sólidos e a matéria orgânica ficam adsorvidas proporcionando a formação de placas bacterianas no interior do equipamento. Quando ligamos o deionizador, a velocidade de escoamento da água é suficiente para que ocorra um arraste destas bactérias para fora, gerando água deionizada com conteúdo orgânico. É recomendado por alguns fabricantes, realizar a desinfecção da coluna deixando-a imersa em álcool 70 ou solução diluída de formol. O cuidado com a manutenção do deionizador é muito importante pois o acúmulo excessivo de placa bacteriana reduz a superfície de contato da água com a resina, reduzindo a eficiência da deionização. Hoje, já temos boas soluções para minimizar estes problemas. Obtêm-se excelentes resultados, instalando filtros de 1 a 5 mm com carvão ativo antes do deionizador e, uma lâmpada UV após o deionizador. Este procedimento acarretará menor desgaste na coluna deionizante e os microorganismos que passarem serão eliminados pela ação da lâmpada UV instalada no final do sistema. Caso você troque seu Deionizador por um Destilador, é recomendado que se instale um sistema de pré-filtração e, dependendo da qualidade da água que abastece seu estabelecimento, deve ser instalado também um deionizador para que tenhamos melhores garantias na remoção de íons já que um destilador simples, na maioria das vezes, não fornece água com as rigorosas características físico-químicas exigidas pela Farmacopéia. As análises de água purificada devem ser realizadas obrigatoriamente a cada trimestre por Laboratório especializado.
3. Mandei perfurar um poço artesiano para abastecer minha empresa. A equipe que perfurou, conseguiu água à 90 metros de profundidade. É possível que a água esteja contaminada ? Em caso positivo, o que devo fazer ?
Sim. Basta lembrar que : - os lençóis subterrâneos são dinâmicos, ou seja, se movimentam lentamente; - os lenços subterrâneos estão em contato com camadas rochosas que podem liberar íons/metais prejudiciais à saúde (fluoretos, ferro, manganês, prata, etc.); - se a perfuração não for realizada por profissionais especializados, poderá haver arraste de material orgânico em quantidade suficiente para contaminar por muito tempo a água a ser utilizada; Em caso de contaminação microbiológica(coliformes totais e fecais) a solução é simples e de baixo custo. Basta instalar um sistema de desinfecção contínuo ligado à linha energizada que abastece a bomba submersa; assim, quando a bomba submersa ligar para mandar água para o reservatório, a bomba dosadora de cloro funcionará simultaneamente, promovendo a desinfecção da água que será consumida. Em caso de contaminação química, por exemplo, presença de ferro e/ou manganês, pode-se instalar um filtro/trocador iônico específico para este fim. Neste caso recomenda-se procurar um profissional da área para dimensionar o equipamento de acordo com a vazão do poço. Um dos casos mais freqüentes de contaminação química é a presença de fluoreto em grande quantidade. Neste caso o custo do tratamento desta água cresce consideravelmente, pois somente poderá ser removido com a instalação de um sistema de Osmose Reversa. Dependendo da finalidade e da disponibilidade de água no local, é melhor procurar um novo ponto para captar a água, ou seja, perfurar um novo poço.
4. Que cuidados devo ter com o reservatório de meu Condomínio ?
Lavagem, impermeabilização, manutenção estrutural e proteção são os cuidados básicos que você deve ter. Mesmo que as legislações estaduais e municipais do País não possuam uma indicação de consenso , a recomendação técnica mais preventiva recomenda que os reservatórios sejam lavados a cada 6 meses, principalmente nas grandes cidades. Isto porque as concessionárias de abastecimento público estão constantemente efetuando reparos e expandido as redes de água, provocando arraste de materiais indesejáveis para dentro das tubulações que conduzem água até nossas residências. Ao contrário do que se vê normalmente, a impermeabilização deveria ser externa e interna, para evitar a infiltração principalmente de águas de chuva que lavam os pisos dos terraços e invadem os reservatórios sem impermeabilização. Cabe lembrar que a manutenção estrutural deve ser revista com o objetivo de reparar rachaduras e frestas na tampa que podem facilitar a entrada da água de chuva, de insetos, de ratos, baratas, etc. É interessante salientar que, justamente ao lado dos reservatórios inferiores dos Condomínios, muitas vezes estão as lixeiras e materiais de limpeza, ou seja, colocam o lixo do Condomínio ao lado da água que vai alimentar os moradores.
5. Meu Condomínio é abastecido com a água de um poço que mandamos perfurar. Quais os cuidados que devo ter ?
Aqui no Estado do Rio Grande do Sul, a legislação é bem clara. O Síndico de um Condomínio é responsável pela manutenção das características de potabilidade da água a ser consumida pelos moradores. Ora, então deve ser observada a legislação de Potabilidade (Portaria 36 e Resolução 1469). A água deste poço deve ser tratada com cloro, devem ser realizadas análises físico-químicas e bacteriológicas a cada 4 meses e o Condomínio deve ter um Químico como Responsável Técnico pelo sistema de tratamento, inclusive com ART do Conselho Regional de Química. Se não atender estes requisitos o Condomínio ficará impedido de utilizar o poço obrigando-se a utilizar a água fornecida pela concessionária pública local. O investimento para um sistema de tratamento de água de poço, considerando apenas cloração, está na ordem de U$500, e é um investimento fixo. Ou seja, o gasto fica limitado a manutenção esporádica do sistema. A única despesa mensal seria a remuneração do Responsável Técnico que em média custa um salário mínimo. Comparando-se este investimento com o gasto resultante da utilização da água servida pelas redes públicas, conclui-se que as vantagens são enormes e incalculáveis. Mesmo assim, alguns Síndicos não conseguem enxergar os benefícios e acabam comprometendo a saúde dos moradores. Utilize água de poço, mas faça o tratamento adequado. Não esqueça que seu Condomínio está em região urbana e com grande possibilidade de contaminação por rede de esgotos ou fossas sépticas.
|
|